"Volver, volver"
palavras de uma amiga, obrigada maria ;)
...um pequeno recanto para palavras escondidas...bem escondidas...
Tortura
Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida verdade, o Sentimento!
-- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...
Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
-- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
Florbela Espanca (04.05.95)
Pray that your loneliness may spur you into finding something to live for, great enough to die for.
"The astonishing reality of things
Is my discovery every day.
Each thing is what it is,
And it’s hard to explain to someone how much this makes me happy,
How much it’s enough for me.
It’s enough to exist to be whole."
From "Poemas Inconjuntos" by Alberto Caeiro (one of Pessoa's heteronyms), taken from a wonderful online project at the Portuguese National Library
(translation stolen from this wonderful blog which owes its existence to the fact that Pessoa's writings are now in the public domain)
(re)descoberto in http://claudia.weblog.com.pt/arquivo/poetry/
| ..digo-te |
| Digo-te.. ..de dentro de uma esfera cúbica, em tudo semelhante à tua, que estás antes.. ..do mero jogo a branco e negro pelo chão simétrico. Procuro-te o queixo que não vejo com dedos invisíveis que talvez nem sintas, e digo-te que nem todas as coisas traçadas se esfumam por igual na quadrícula dos universos geométricos. E, então, esgueiro-me por entre os quatro segmentos da tua base, corto uma secante ao tranvés da tua porta, e deito-me à espera do teu regresso a casa.. O..X (...primeiras impressões...) 22 I gave myself to him, And took himself for pay. The solemn contract of a life Was ratified this way The value might disappoint, Myself a poorer prove Than this my purchaser suspect, The daily own of Love Depreciates the sight; But, 'til the merchant buy, Still fabled, in the isles of spice The subtle cargoes lie. At least, 'tis mutual risk,— Some found it mutual gain; Sweet debt of Life,—each night to owe, Insolvent, every noon. |
Conselho de um velho apaixonado
Quando encontrares alguém e esse alguém fizer o teu coração parar
De funcionar por alguns segundos, presta atenção:
pode ser a pessoa mais importante da tua vida.
Se os olhares se cruzarem e, nesse momento, houver omesmo brilho intenso entre eles,
fica alerta: pode ser a pessoa que tu estás à espera desde o dia em que nasceste.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante,
e os olhos se encherem de água nesse momento,
percebe: existe algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do teu dia for essapessoa, se a
agradece: Algo do céu te mandou um presente divino:
O AMOR.
Se um dia tiverem que pedir perdãoum ao outro por algum
Quanto de ti, Amor...
Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço
em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre -
Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego -
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca, só expressão dorida
de quem é como a morte -
Quanto de morte recebi de ti,
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu -
Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro -
Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará -
Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só -
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na auséncia indestrutível que
nos faz ser um no outro -
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida -
Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam -
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja.
Jorge de Sena
in Visão Perpétua
Agosto 1967