domingo, novembro 08, 2009

O sentido dos sentidos : a educação (do) sensivel


A Idade Moderna tem, como uma de suas características fundamentais, a constituição de um tipo de conhecimento centrado na “razão pura”, isto é, livre de interferências dos sentidos e sentimentos humanos. Tal razão hipertrofiou-se e hoje se pretende que ela responda pelos mais íntimos e pessoais setores de nossa vida, acarretando uma desconsideração para com o saber sensível detido pelo corpo humano e mesmo um embotamento e não desenvolvimento da sensibilidade dos indivíduos. Essa “anestesia”, que pode ser verificada no mais simples cotidiano de todos nós, precisa ser revertida através de uma educação da sensibilidade, dos sentidos que nos colocam em contato com o mundo. Com isso poder-se-á chegar à criação de uma razão mais ampla, na qual os dados sensíveis sejam levados em conta, o que nos possibilitaria conhecimentos e saberes mais abrangentes.






João Francisco Duarte Junior,
Orientador: João Francisco Regis de Moraes,
Instituição: Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação ,
Nível: Tese (doutorado)
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Educação

sábado, novembro 07, 2009

S.A.R.A.


O meu nome é ''Sara''
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados,
Não consigo ver.

Eu devo ser estúpida,
Eu devo ser má,
O que mais poderia pôr o meu pai em tal estado?

Eu gostaria de ser melhor,
Gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos.

Eu não posso falar,
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada todo o dia.

Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura,
Os meus pais não estão em casa.

Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.

Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro,
O meu pai chega do bar do Carlos.

Ouço-o dizer palavrões.
Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.

Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora,
Começo a chorar.

Ele encontra-me a chorar,
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no trabalho.

Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente e corro até à porta.

Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola,
Ele agarra em mim e lança-me contra o muro.

Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos, E o meu dia continua com horríveis palavras...

'Eu lamento muito!', eu grito
Mas já é tarde de mais
O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável.

O mal e as feridas mais e mais,
'Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!'
E finalmente ele pára, e vai para a porta,

Enquanto eu fico deitada,
Imóvel no chão.

O meu nome é 'Sara'
Tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai *matou-me*.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

domingo, fevereiro 04, 2007

..digo-te

Digo-te..

..de dentro de uma esfera cúbica,

em tudo semelhante à tua,

que estás antes..

..do mero jogo a branco e negro

pelo chão simétrico.

Procuro-te

o queixo

que

não vejo

com dedos invisíveis

que talvez nem sintas,

e digo-te

que nem todas as coisas

traçadas se esfumam por igual

na quadrícula dos universos geométricos.

E, então,

esgueiro-me

por entre os quatro segmentos da tua base,

corto uma secante ao tranvés da tua porta,

e deito-me à espera do teu regresso a casa..

O..X

(...primeiras impressões...)



Emily Dickinson

22

I gave myself to him,
And took himself for pay.
The solemn contract of a life
Was ratified this way

The value might disappoint,
Myself a poorer prove
Than this my purchaser suspect,
The daily own of Love

Depreciates the sight;
But, 'til the merchant buy,
Still fabled, in the isles of spice
The subtle cargoes lie.

At least, 'tis mutual risk,—
Some found it mutual gain;
Sweet debt of Life,—each night to owe,
Insolvent, every noon.

Conselho de um velho apaixonado


Quando encontrares alguém e esse alguém fizer o teu coração parar
De funcionar por alguns segundos, presta atenção:
pode ser a pessoa mais importante da tua vida.

Se os olhares se cruzarem e, nesse momento, houver omesmo brilho intenso entre eles,
fica alerta: pode ser a pessoa que tu estás à espera desde o dia em que nasceste.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante,
e os olhos se encherem de água nesse momento,
percebe: existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do teu dia for essapessoa, se a
agradece: Algo do céu te mandou um presente divino:
O AMOR.


Se um dia tiverem que pedir perdãoum ao outro por algum

motivo e,
Em troca, receberes um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os Gestos valerem mais que mil palavras,
entrega-te: vocês foram feitos um para o outro.

Se por algum motivo estiveres triste, se a vida te deu uma rasteira e a
outra pessoa sofrer o teu sofrimento, chorar as tuas lágrimas e enxugá-las com ternura:
poderás contar com ela em qualquer momento da tua vida.

Se conseguires, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do teu lado...

Se achares a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijama velho, chinelos de dedo
e cabelos emaranhados...

Se não conseguires trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo
Encontro que está marcado para a noite...

Se não consegues imaginar, de maneira nenhuma, um futuro
sem a Pessoa ao teu lado...

Se tiveres a certeza que irás ver a outra envelhecendo...e, mesmo assim,
tiveres a convicção que vais continuar sendo louco Por ela...

Se preferires fechar os olhos, antes de ver a outra partindo:
é o Amor que chegou na tua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas
poucas amam
Ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses
Sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio.

Por isso, presta atenção aos sinais.
Não deixes que as loucuras do dia-a-dia te deixem cego
para a melhor coisa
da vida: o AMOR!!! Ama muito.....muitíssimo.......

Do grande poeta: Carlos Drummond de Andrade

Por tudo o que passamos... e o que não passamos...
Jamais o nascer do sol terá o mesmo sabor...
I miss you

<<·.¸¸.·´¯)·´¯)


Quanto de ti, Amor...

Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço
em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre -
Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego -
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca, só expressão dorida
de quem é como a morte -
Quanto de morte recebi de ti,
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu -
Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro -
Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará -
Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só -
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na auséncia indestrutível que
nos faz ser um no outro -
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida -
Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam -
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja.



Jorge de Sena
in Visão Perpétua
Agosto 1967


domingo, outubro 01, 2006

O VAZIO É COMO A IDADE.
VAI SEMPRE AUMENTANDO
E FICANDO MAIS PESADO,
MAIS DIFÍCIL DE IGNORAR.







tuneanderson
O Essêncial é invisível aos olhos.


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autor desconhecido

quarta-feira, setembro 27, 2006

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MicaelaPetroni-Here


«Só o sábio se contenta com o que tem, todos os insensatos sofrem de
descontentamento consigo mesmos.»


Séneca- "Corpos", 2002 (Epist.IX,22)
It's nothing speccial!!!


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segunda-feira, julho 10, 2006


Words only say things
Actions mean something!





Actions_over_Words by ...

quarta-feira, junho 14, 2006

MEMORIES...





...
...

......

...


...

...


(...)




sábado, junho 03, 2006

|||SUPER BOCK SUPER ROCK||| ...A VIAGEM...



quarta-feira, maio 24, 2006

«Bipolar»






E foi naquela festa incrementada desta selva urbana,
o que era belo virá gíria,
pomba gíria...

quinta-feira, abril 27, 2006


THE REVENGE IS MINE...

Silhueta, foto de Rui Bonito




I tiblia Lublus...

quarta-feira, abril 26, 2006

VOGANDO NO SONHO (IMPERFEITO?)


Foto de Ana Borges-Só



Dia após dia, recordo
Que em poucas noites dormi;
Suspirando, relembrando,
A razão porque sofri.
Ao inserir no contexto
O que és... e o que foste,
Movendo mais um pretexto
Para me dares outro desgosto.
Talvez eu seja culpada,
Mas a culpa tem culpa,
Mas a culpa tem desculpa;
Só não sou uma condenada
Se a vontade não me insulta.
Pois na alma está contido
O sofrimento e a dor,
Recordando que contigo
Me fiz escrava sem temor.
E tu vives na loucura
Daqueles que por ti choram;
Pensando que és doçura
Daqueles que te procuram.
Mas atenção tem cuidado,
Que tudo na vida tem troco;
Tudo o que fazes tem volta,
Pensa nisso, não sejas louco!
E a arte está a pensar
Em mudar algo em ti.
Tentando talvez tirar
O que eu nunca consegui.
Mas tudo o que em ti existe,
Fugirá de ti no dia
Em que te tornarás triste,
Esperando uma alegria...
E verás (quando vier)
O monstro que foste um dia,
E chorarás o viver
Daquela que destruíste.
Só então serás aquele
Que eu sempre desejei ter,
Esboçando na aguarela
Onde és luz do meu viver.
E nestas poucas palavras
Tento dizer o que sinto;
Tudo começa e acaba
Com a certeza que não minto.
O mesmo não podes dizer,
Não há luz no teu caminho.
Talvez quando houver,
Descubras que estás sozinho,
Sem saber o que fazer.
Só então hás-de pensar
Em tudo o que disseste.
Nessa altura hei-de estar
No sonho que não viveste.
Onde a mentira e a verdade,
Se misturam sem querer.
Onde nada faz sentido,
Onde és luz do meu viver...

terça-feira, abril 25, 2006


















foto de suzy 9mm


IMPOSSÍVEL


Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste
«Parece Sexta-Feira de Paixão.
Sempre a cismar, cismar de olhos no chão,
Sempre a pensar na dor que não existe...

O que é que tem?! Tão nova e sempre tão triste!
Faça por estar contente! Pois então?!...»
Quando se sofre, o que se diz é vao...
Meu coração, tudo, calado, ouviste...


Os meus males ninguém os adivinha...
A minha Dor não fala, anda sozinha...
Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera!...


Os males de Anto toda a gente os sabe!
Os meus... ninguém... A minha Dor não cabe
Nos cem milhões de versos que eu fizera!...



Florbela Espanca

sexta-feira, abril 21, 2006

Vergonha




-Uma coisa te quero dizer,
mas a vergonha mo impede...

-Se em ti habitasse o desejo
por coisas nobres e belas,
e a tua língua não se embrulhasse no mal,
já a vergonha não abriria os teus olhos
e límpido falarias sobre os teus sentimentos.

Safo